Resenha: Pérolas aos Porcos

Amália levava uma vida aparentemente comum no interior de São Paulo, durante a Segunda Guerra Mundial. Ela vivia seus dias em uma fazenda simples com seu irmão, sua mãe, uma empregada adorável que sempre tinha os melhores conselhos e o seu avô, que traz consigo uma forte e enraizada ideologia pró-nazista. A fazenda era um lugar lindo e encantador, com um riacho e uma vasta área verde.
Entre muitas discussões e posicionamentos políticos vindos de seus parentes, ela não esperava se apaixonar — e muito menos que sua paixão seria justamente por alguém “proibido”. Pietro, o italiano inevitavelmente bonito, trabalhava na fazenda como ajudante geral, e o que tornava sua relação com Amália difícil eram, simplesmente, suas raízes judias. Seu avô abominava aquele homem, então Amália e Pietro decidem que iriam fugir para longe dali, para um lugar seguro onde ele pudesse cuidar de sua amada.
Mas o destino, como quase sempre, não é gentil com quem sente demais. A fuga deles é descoberta e interceptada. Quando ela chega a Roma, parece quase um recomeço — e logo tudo muda. Amália é sequestrada, drogada e levada para um lugar totalmente desconhecido, onde permanece por alguns dias, até ser levada definitivamente para a casa de Friedrich.
Diferente de Pietro, Friedrich era um ariano puro. Ele era um dos comandantes das ações nazistas, e sua presença nunca passava despercebida — era como uma força da natureza. Ele prometeu que Amália seria livre para fazer o que quisesse enquanto estivesse vivendo em sua casa: livre para ir aonde quisesse, menos para casa.
Amália enfrenta tantos dilemas, tantos medos… e, no meio desse caos, o amor volta a florescer. Mais visceral do que nunca, Friedrich conquista o coração de Amália e faria tudo por ela — desde que ela não se envolvesse em seus assuntos sobre a guerra, nem tentasse traí-lo de alguma forma. E, cega de amor, Amália aceita seus termos, pois estava totalmente entregue àquele homem que, entre aquelas quatro paredes, era perfeito. Mas, toda vez que ele saía porta afora, era como soltar um monstro — e amá-lo era como concordar com seus atos desumanos.
Estar dividida entre a fé e a razão — ou melhor, entre o amor e a razão — é uma das situações mais dolorosas que alguém pode enfrentar. É o maior dilema: “Eu o amo a ponto de entregar minha alma a ele, mas não posso seguir concordando com o horror que ele propaga.”
Então, Amália decide fugir mais uma vez. Agora, ela não era uma civil qualquer — ela era alguém importante, esposa de um dos maiores comandantes da guerra. Sua fuga acaba envolvendo muitas pessoas; o perigo e o fim eram iminentes, mas era sua única chance — a chance de se livrar do rastro de sangue que a seguia por onde passava.
Pérolas aos Porcos é uma história totalmente cativante e viciante. O mais incrível dessa leitura é o quanto ela envolve o leitor nos cenários, nos toques dos personagens, no frio da estação, nos sentimentos… Eu li esse livro e nunca havia sido arrebatada de tal maneira por uma história. Com certeza, esse livro vale todas as estrelas do mundo.
